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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bienal do Livro

A Bienal do Livro de Campos se encerrou no último domingo, depois de 10 dias ininterruptos de cultura, música, poesia e literatura em plena Praça São Salvador, no centro de Campos. A frase de encerramento do Secretário de Cultura, Avelino Ferreira, resume bem os 10 dias quando diz que quem fizer a próxima Bienal terá muito trabalho para manter o mesmo nível desta. De fato não há o que discordar. A Bienal do Livro do governo anterior foi uma grande bagunça e show de desorganização.

Heloisa Seixas e Ruy Castro

A curadoria da Bienal ficou por conta de Suzana Vargas, que foi curadora de Bienais no Rio de Janeiro e São Paulo. Pelo time de escritores que passou por aqui, esta não ficou devendo em nada para as grandes Bienais que acontecem nas capitais. Pra quem gosta de ler é extremamente agradável ter acesso a este tipo de evento em sua cidade sem precisar se deslocar para grandes centros.

Nelson Motta e Ruy Castro

Não fui a todos os dias, mas fiz de tudo para comparecer a maioria, mesmo quando estava chovendo. Queria ter assistido ao primeiro dia, mas não estava em Campos. Sábado cheguei mais cedo para conseguir lugar no Café Literário e assistir ao bate-papo com Ruy Castro e Heloisa Seixas sobre A Paixão por Livros. Tirando o calor que fazia naquela sala, pois o ar condicionado não dava vazão e a falta de café, água ou cerveja no "Café Literário", que foi uma grande bola fora da organização, foi muito bom ouvir as histórias e as manias obsessivas de um guardador de revistas e jornais velhos que é o Ruy Castro.

Nelson Motta

Muita gente não conseguiu lugar na sala do Café para assistir a conversa. Pelo menos havia uma televisão de LCD do lado de fora onde era possível acompanhar algumas coisa. De fato nada agradável pra quem saiu de casa, com chuva, para degustar um bom papo literário.

Prof. Dra. Rita Maia fazendo uma introdução sobre Literatura Africana enquanto os Escritores Africanos não chegavam

Bate-papo com Mia Couto e Agualusa com mediação da Professora Rita Maia

Nos outros eventos, felizmente a Prefeitura se tocou de colocar os Cafés Literários e Botequins Literários na Arena Cultural. Poderiam ter colocado mesas e cadeiras na arena para maior conforto dos interessados nos bate-papos. Um barzinho servindo cervejas, água, salgados e/ou café dariam um ar muito mais interessante e maior conforto aos que ali estavam. Exatamente como eram nas outras Bienais e como acontece nos grandes centros.

Mia Couto e Agualusa

Dedé Muylaert e Viviane Mosé declamando poesias

O saldo no final das contas foi super positivo pelos nomes de peso que fizeram parte desta edição, shows de samba e blues, declamação de poesia, etc. Outra dica que deixaria e que passou batido: poderia-se ter um bate-papo com os autores de Campos que lançaram livros na Bienal. Com certeza causaria um interesse maior nos escritores de nossa cidade.

Excelente debate entre André Trigueiro e Aristides Soffiati sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade

Márcio de Aquino lançando finalmente seu livro Chicletes e Prazer

Chicletes e Prazer: contracultura, década de 70 e rock 'n roll

Autografando alguns livros

Ferreira Gullar e Arlete Sendra

Ferreira Gullar prestando atenção a pergunta da platéia

Ferreira Gullar lendo uma poesia

Para melhor cobertura sobre a Bienal, visitar os blogs abaixo:

- Avelino Ferreira.
- Tarati Taraguá.

sábado, 25 de setembro de 2010

Eu Sou Ozzy


Este é o livro que estou lendo. Ozzy Osbourne, ícone do heavy metal, figura lendária que fez parte da maior banda de heavy metal de todos os tempos e que foi trilha sonora de muitos anos de minha adolescência. O livro relata histórias da vida de Ozzy desde sua infância até os anos do Black Sabbath (pelo menos é até onde estou lendo, mas ainda falta muito para terminar). As dificuldades na escola, a dislexia, os roubos, anos na prisão, drogas e a formação do Black Sabbath na perspectiva de Ozzy fazem do livro uma leitura leve e muitas vezes hilária.

Na adolescência Ozzy Osbourne era minha referência no Rock'n Roll. Colecionava revistas, posteres, camisas, recortes de jornal ou qualquer referência que tinha com o Madman. Andava inclusive com uma cruz pendurada no pescoço como Tony Iommy e Ozzy e os outros membros do Sabbath. Óbvio, que a cruz do Black Sabbath, de metal, que foi feita pelo pai de Ozzy para ele e os outros membros do Sabbath. A minha era de durepox mesmo.

Pasta em que colecionava recortes e xerox da carreira de Ozzy.

Como alguém "entendido" da carreira de Ozzy, o livro conta uma série de coisas e histórias que não sabia de sua vida e carreira. Ao mesmo tempo me faz questionar a veracidade dos dados visto o alto grau de lesabilidade do cérebro de Ozzy já de alguns anos atrás.

Black Sabbath: formação clássica.

Os relatos do livro mostram um Ozzy do tipo meio idiota. Não sei exatamente se existe uma palavra melhor para descrever a impressão que estou tendo deste período Black Sabbath de sua vida. Mas idiota no sentido de atrapalhado ou trapalhão. Desde suas divergências na escola, ou quando roubava ou quando arrumava brigas nos bares ou quando conhecia alguma garota. Alguns dos relatos são muito engraçados.

O livro torna-se na verdade um documento histório, especialmente da realidade da época, dos primeiros contatos com Tony Iommy, Geezer Butler e Bill Ward ainda adolescentes. Não faltam referências aos outros músicos e bandas da época como Jethro Tull e Led Zeppelin. Simplesmente indescritível. O livro de fato deveria se tornar filme. Deveria inclusive sair um livro contando a versão dos outros membros do Sabbath da formação da banda.

A descrição da gravação do primeiro álbum, as composições e ensaios da banda fazem realmente nos transportarmos e pensar como devia ter sido aquela época e o que se passava na cabeça dos jovens músicos para criar um som pesado, original e que pra sempre iria ser chamado de Heavy Metal. Definitivamente, vale a leitura.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A Morte de Peter Steele


Não tive tempo de postar semana passada, mas fica aqui o registro da morte (14 de abril de 2010) de Peter Steele (baixista e vocalista) da banda Type O Negative. De fato, uma perda irreparável. Bloody Kisses (álbum de 1993) fez parte de alguns anos de minha adolescência e continua sendo o que há de melhor no gothic metal, assim como October Rust (1996). Na verdade é difícil enquadrar o Type O Negative num estilo, mas pense em algo com teclados, vocais graves, baixo pesado e teremos algo com a atmosfera musical obscura da banda. Ótimo som para os dias nublados e talvez fatal para os depressivos.

No popular, pelo menos aqui em Campos, muitos falavam Tapióca Negativa. A tradução talvez fosse Tipo de Negatividade pelo "O" abreviado na forma contracta (O' = Of). Porém, algumas semanas atrás assistindo a excelente série sobre vampiros True Blood, onde os vampiros discutiam uma certa preferência pelos tipos de sangue ouvi algo como: Eu prefiro o tipo o negativo (I prefer Type O Negative). E de fato o visual sombrio, gótico, e as roupas como "sobretudos", eram marca registrada da banda, assim como de alguns dos vampiros que frequentam determinados bares do True Blood.

A afinidade com o Type O Negative também se deve a afinidade aos escritores malditos como Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Álvares de Azevedo, que beberam na fonte do ultra romantismo ou mal do século ou que fizeram parte dela. Temas como a morte, egocentrismo, melancolia, culto da noite, inverno, boemia, vícios fazem parte tanto dos escritos como das músicas desta excelente banda.

Alguns trechos do disco Bloody Kisses:

Música: Bloody Kisses (A death in the family)

Há pouco tempo mas distante
O dia de um inverno chuvoso
Toda a dor que ela manteve guardada
Já não pode mais esconder
Nenhum grito de socorro
Ela matou a si própria
Tanto a vida quanto o amor
Não puderam ser salvos
Ela os levou para a sepultura

Música: Summer Breeze *

Vejo as cortinas suspensas na janela
Ao anoitecer de uma noite de sexta-feira
Uma pequena luz brilhando através da janela
Me faz saber que está tudo certo

Música: Too Late: Frozen

Os ventos frios do inverno
Que esfriam meu coração com granizo & neve
Não do Norte, venha para esta morada glacial
Mas do seu limbo de dimensão criogênica
Eu estou congelando
Eu estou congelado
É tarde demais

Vídeo de Love You to Death e Christian Woman (infelizmente a Road Runner bloqueou a incorporação do video em blogs e outros sites. Tem que assistir direto lá no YouTube)

* Summer Breeze é uma regravação da original de 1972 do grupo Seals and Crofts. Dentre outras regravações do Type O Negative, não podemos esquecer da regravação e releitura para o Tributo ao Black Sabbath, da música Black Sabbath. Uma releitura impressionante de arrepiar. Mesmo os não muito chegados ao som gótico ou metal, deveriam obrigatoriamente, tirar 3 minutos de suas vidas, apenas para conferir o que estou falando.

Para fechar, indico o blog de um campista, Thiago Kerzer, da banda Endorama, Minhas Flores do Mal, com poesias na mesma linha dos grandes escritores supracitados.

Para escutar a versão assombrosa da música Black Sabbath, da banda de mesmo nome:



Peter Steele, RIP.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Literatura e Carnaval


O Salgueiro mais uma vez me surpreende. Nunca tive essa de ter escola de samba, como se fosse time de futebol, nem faço coro a torcidas histéricas de ambas instituições. Mas venho criando cada vez mais simpatia por esta escola. Ano passado com a composição "Tambor", já fui para a Sapucaí sabendo que o Salgueiro ganharia apenas pelo samba enredo. Lógico que o desfile faz toda a diferença na apresentação das escolas... mas o samba é o samba.

Ouvindo agora o samba enredo da escola de 2010, vejo que não perderam a mão no samba e escolheram o livro e a literatura como tema do samba enredo a ser apresentado na Sapucaí. E a bateria continua impecável e empolgante.

No site do Salgueiro, na sinopse do samba enredo, um belo texto sobre literatura e a história dos livros. E começando com uma citação de Borges:

"Dos diversos instrumentos do homem,
o mais assombroso é, sem dúvida, o livro.
Os demais são extensão do seu corpo...
mas o livro é outra coisa, o livro é uma extensão
da memória e da imaginação"
(Jorge Luís Borges)

Não sei qual a relação da escola com aquelas que fazem sambas pagos, comprados. Mas sem dúvida os dois últimos sambas foram geniais: "Tambor" e deste ano "História Sem Fim". Ver o samba, como extenção da música e da arte, conectado a literatura faz com que o samba não caia no precipício de outros estilos musicais.

"(...) Adentramos o portal da fantasia. Aqui, a imaginação é a máquina veloz que nos leva a qualquer tempo, a qualquer lugar! Vamos botar o mundo de pernas pro ar em busca da trilha dos contos fantásticos e lá encontrar a cidade dos sonhos, o país das maravilhas, o universo das fábulas inesquecíveis (...)".

"(...) Aqui começa nossa viagem pelo mundo da aventura e do suspense, com personagens e ações se sucedendo num ritmo alucinante para desvendar o intrigante enigma, encontrar o caminho para outras dimensões onde habitam monstros, bruxos e seres sobrenaturais transportados de tempos e espaços imaginários, guiados por engenhosas palavras que nos fazem prender a respiração e, num só fôlego, acompanhar todo o mistério que envolve a trama do primeiro ao último instante, conduzidos por pistas falsas, ciladas, tramas cruzadas, perigos, vilões acuados, quebra-cabeças de peças incompletas, fragmentos que aguçam a curiosidade num ritmo cada vez mais frenético, até que surge... ufa!
A reviravolta.
O desfecho.
A revelação.
'Como é que não pensei nisso antes?' A verdade estava diante dos nossos olhos...
... que avançam no tempo e leem um futuro escrito pelas tintas da incerteza (...)".


O texto na íntegra vale apena ser lido no site do Salgueiro.

Encontrei esse vídeo do ensaio técnico da escola que também merece ser visto. Pra quem nunca foi à Avenida do Samba, dá pra se ter uma leve ideia da energia do desfile, do rufar da bateria e da empolgação que são estes 50 minutos que a escola se apresenta.



Letra: Histórias Sem Fim

Sonhei... no infinito das histórias
Iluminando a memória, me encantei
Brilhou... realidade e fantasia
Como nunca imaginei
Na arte do saber um novo amanhecer
Divina criação, primeira impressão
O livro sagrado da vida
Virtude pra eternidade
A leitura estimulando
A mente da humanidade

Eu viajei nessa magia
De alma e coração
Na fonte da sabedoria
Busquei a minha inspiração

Páginas descrevendo pensamentos
Clássicos, ideais e sentimentos
Romances... adventuras
Quanta riqueza na nossa literatura
O faz de conta inocente da criança
Ficou guardado na lembrança
Mistérios... suspense... emoção
É o hábito de ler, folheando com prazer
Muito além de uma visão
Mensagens de esperança
Clareando a imaginação

Uma história de amor
Sem ponto final
"academia do samba" é salgueiro
No "livro do meu carnaval"

Para apenas ouvir o samba:


É isso. Bom Carnaval e "Salve o Mestre do Salgueiro!".

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Machado, um Mestre na Periferia do Capitalismo


Excelente vídeo sobre Machado de Assis. "Um Mestre na Periferia do Capitalismo" é o título do livro do Roberto Schwarz sobre a obra de Machado, mais especificamente a 2ª fase, pós-romântica e realista. Neste vídeo encontram-se importantes críticos da obra de Machado como Alfredo Bosi, o próprio Schwarz e Sidney Chalhoub.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Psicanálise e Literatura


Mais cultura e mais programações interessantes. No programa Entrelinhas da TV Cultura deste domingo (24), às 21:30, o homenageado será o criador da Psicanálise, Sigmund Freud: "O programa será inteiramente dedicado ao criador da psicanálise. Vamos mostrar como a literatura foi importante para a formulação das teorias freudianas sobre o inconsciente – e como a psicanálise também influenciou escritores e artistas".

Literatura, internet e Dostoiévski

Esse é um excelente exemplo de como mostrar a literatura de forma mais instigante. A internet muitas vezes é criticada por ser uma forma de afastar as pessoas das leituras pela quantidade de informações e possibilidades de interação. Não sei hoje a quantas anda a qualidade das aulas nas escolas públicas e particulares de nível médio, mas sem dúvida a internet oferece grande quantidade e qualidade de material para dar um "up" em qualquer aula.

Vou tentar daqui pra frente selecionar algumas coisas interessantes e passar a postar aqui estes exemplos. Segue abaixo um programa do Entrelinhas sobre o maior escritor de todos os tempos: Dostoiévski.

Pelo que vi o Entrelinhas pertence ao RadarCultura, que por sua vez, pertence a TV Cultura. "O RadarCultura é uma experiência piloto da Fundação Padre Anchieta que tem por objetivo promover a participação do público na definição da programação Rede Cultura Brasil (AM), da Rádio Cultura FM e da TV Cultura. A proposta é explorar as ferramentas de interação e de moderação social disponíveis neste site para estimular conversas entre usuários e a interlocução entre público e equipe da Fundação".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vigiar e Punir - Foucault


Comecei a ler ontem Vigiar e Punir de Michel Foucault. Segue uma nota bem interessante das ilustrações que compõe o livro e como o terror das punições não eximia nem mesmo as crianças. Fábrica inclusive de possíveis neuroses e fobias:

"Avisamos aos pais e mães, tios, tias, tutores, tutoras, diretores e diretoras de internatos e, de modo geral, todas as pessoas que tenham crianças preguiçosas, gulosas, indóceis, desobedientes, briguentas, mexeriqueiras, faladoras, sem religião ou que tenham qualquer outro defeito, que o senhor Bicho-Papão e a senhora Tralha-Velha acabaram de colocar em cada distrito da cidade de Paris uma máquina semelhante à representada nesta gravura e recebem diariamente em seus estabelecimentos, de meio-dia às duas horas, crianças que precisem ser corrigidas. Os senhores Lobisomem, Carvoeiro Rotomago e Come-sem-Fome e as senhoras Pantera Furiosa, Caratonha-sem-Dó e Bebe-sem-Sede, amigos e parentes do senhor Bicho-Papão e a senhora Tralha-Velha, instalarão brevemente máquina semelhante que será enviada às cidades das províncias e, eles mesmos, irão dirigir a execução. O baixo preço da correção dada pela máquina a vapor e seus surpreendentes efeitos levarão os pais a usá-la tanto quanto o exija o mau comportamento de seus filhos. Aceitam-se como internas crianças incorrigíveis, que são alimentadas a pão e água. Gravura do início do século XVIII (Coleções históricas do INRDP)".

domingo, 30 de agosto de 2009

Francisco Bosco

Excelente o bate papo com Francisco Bosco no IFF, para fechar o 4º Enletrarte, na sexta feira. Depois vou disponibilizar um trecho aqui que gravei. Dentre os assuntos comentados falou de seus livros, da formação dos professores de ensino médio, dos clássicos da literatura universal, dos intelectuais...

Em breve o link estará aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Francisco Bosco daqui a pouco no IFF

Bate papo imperdível hoje (28/08/09) daqui a pouco, 14h no IFF, com Francisco Bosco. A mediadora será a professora Analice Martins do IFF/FAFIC/UNESA.

"FRANCISCO BOSCO é escritor, letrista e ensaísta. É autor de Da Amizade, entre outros. É doutorando em Teoria Literária pela UFRJ e professor de Teoria Literária da Universidade Estácio de Sá" e colunista da Revista CULT.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Clima


Como é bom um dia cinza. Estava lendo Nietzsche agora, extamente suas divagações do porque é tão inteligente (!!), em "Ecce Homo" e suas preferências climáticas e nutricionais. E de seu total decontentamento em relação a cultura alemã, suas críticas a literatura e a filosofia, mais precisamente. E também de sua total dedicação a tarefa de pensar. Se declara antivegetariano e não gosta de álcool, porque um gole sequer coloca-o em completo mau humor, apenas água basta! Alguém consegue imaginar Nietzsche de mau humor?

Quanto a nutrição pra mim funciona de outra maneira. Não porque sou vegetariano, mas sempre as carnes me pasavam muito, antes de ser vegetariano. Sempre associei o fato de comer demais com o não pensar, a preguiça, a moleza, ao sono. Minha teoria que os filósofos são magros é porque quem come pouco pensa mais. Carne, muito feijão, batata, massas, refrigerantes não contribuem com o pensar.

Até porque a atividade de pensar e estudar é uma tarefa que exige dedicação, renúncias e um processo alquímico de domar a libido e transformá-la em ouro, chamado sublimação. Um processo nada fácil, que quando encontrado deve-se agarrá-lo com unhas e dentes, e não soltar jamais.

O clima é outro fator que influencia demais o meu relógio literário. Dias quentes, com muito sol e calor, me tiram a paciência para pensar, ler e escrever. Calor é sinônimo de verão, que lembra mar, sol e não fazer mais nada. Como me alegra um dia cinza e chuvoso! Enquanto a maioria das pessoas parecem reclamar e ficarem "tristes", é quando me disperta meu interesse pelas letras, filmes, artes. Até trabalhar é melhor.

Outro ponto que combina com o dia frio é o vinho que Nietzsche não aprecia. É a única época em que é possível degustar uma boa garrafa de vinho tinto. Pelo menos pra quem mora por aqui e não tem ar condicionado. O vinho aguça as ideias e tem quê de poesia e erotismo, como Rimbaud nos diz: "O poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos".

Enfim, comidas leves, um pouco de vinho, um dia cinza e frio faz-se uma perfeita soma de fatores que contribuem nos estudos e na literatura. Que venham dias mais frios e cinzentos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Augusto dos Anjos


"Escarrar de um abismo noutro abismo,
mandando ao céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
do que em toda a moral do cristianismo!"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pra que serve a literatura?


Esta é uma boa questão que pode ser respondida ao assistir o filme "O leitor". O filme não trata apenas de literatura, mas da vida de um homem que é atravessada por uma mulher, envolvida com o nazismo. A literatura aparece no filme desde os estudos do jovem personagem na escola, quando tem contato com os clássicos da literatura, até quando já adulto e formado advogado. O jovem personagem é quem introduz a literatura na vida da mulher, bem mais velha que ele, e isso marca de forma singular a vida de ambos. É o laço que os une. Talvez seja também, como a mulher consegue lidar com tudo o mais em sua vida depois de tudo que já fez. Freud além de trabalhar com alguns autores de peso da literatura universal, tratava a questão da fantasia na literatura, e como aquilo que muitas vezes, no mundo real, pode chocar e na literatura se tornava clássico. O próprio "Édipo Rei", de Sófocles, que é referência a um dos conceitos principais da psicanálise, é exemplo claro disso. Enfim, o filme é belíssimo e se não me engano, Kate Winslet, que é quem interpreta a mulher, foi indicada ao Oscar pela interpretação da personagem. Vale a pena conferir.
Para os adeptos do download, baixe aqui ou procure na locadora mais próxima de sua casa.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Prisão kafkiana

Acabei de ler a entrevista com a jornalista Mahvish Khan, que escreveu o livro My Guantanamo Diary, na Super Interessante deste mês. Provavelmente alguém já deve ter feito essa relação do livro O Processo de Kafka com a prisão de Guantánamo, pela situação em que os presos são tratados, sem acusações formais, sem direito a julgamento ou informações e ainda torturados. A jornalista diz que a prisão já teve 775 detentos, dos quais 20% foram acusados de algo criminoso. Os outros 500 foram soltos sem nenhuma acusação e mandados de volta ao seu país de origem, da mesma forma que foram pegos e soltos, sem nenhuma acusação. O livro de Kafka relata a situação de um homem que também é preso, acusado de algum crime, que não lhe é revelado, e vive um angustiante processo sem ter acesso a qualquer tipo de informação e direito. O livro de Kafka foi escrito na década de 1920 e em algumas críticas literárias, relacionam-no quase como uma profecia do holocausto nazista.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Os Vagabundos Iluminados

Aí vai uma resenha do site das Americanas. A seguir seguem meus comentários:

Considerado por muitos especialistas e fãs da literatura beat como o melhor romance de Jack "On the road" Kerouac, Os vagabundos iluminados (The dharma bums) conta a história de uma busca pela verdade e pela iluminação. O protagonista, Ray Smith, é um aspirante a escritor de San Francisco que anseia por algo mais na vida. Esse algo mais será apresentado a ele por Japhy Rider - um jovem zen-budista adepto do montanhismo que vive com um mínimo de dinheiro, alheio à sociedade de consumo norte-americana. Em meio a festas, bebedeiras, garotas, jam sessions, saraus poéticos, orgias zen-budistas e viagens, Os vagabundos iluminados - lançado nos Estados Unidos em 1958, apenas um ano após o estouro de On the road, e somente agora publicado no Brasil é, sem dúvida alguma, uma obra à altura da sua irmã mais famosa.

Ainda não terminei de ler o livro, pois estou lendo mais uns três (eu acho). Mas esse livro é bem ao estilo do On The Road, o clássico de Kerouac e da literatura beat, como diz a resenha. Mas o que mais marca pra mim, é o que o livro pode me apresentar e dar alguns pontos nos "i"s de minha última experiência, que levei um certo tempo para entender.



Em Julho último, fiz uma escalada até o Pico da Bandeira - 3º maior pico do Brasil com 2.891 metros de altitude! Pois é, uma escalada foderosa. Achei que o coração iria parar, que ia morrer de frio, que não aguentaria subir nem mais um metro nos primeiros 50 m de subida. Realmente algo assustador, apavorante. E as figuras que nos guiaram estavam subindo aquilo pela 11º vez. Ninguém via sentido algum naquilo. Um esforço sobre-humano. O visual lá em cima e durante todo o caminho, óbvio, é super legal; Tem riachos e pequenas cachoeiras pelo caminho. Durante o dia faz muito calor e à noite muito frio. Pegamos umas sensação térmica no topo de 2 a 6 graus negativos.

A aventura em si daria para escrever um livro, assim como fez Jack Kerouac ao narrar sua subida ao Pico Matterhorn, na Califórnia. A subida dele levou dias, a nossa umas 16 horas... mas o tempo todo ele coloca o desafio da escalada como essa busca pela iluminação. Se refere às montanhas como Budas gigantes que estão sentados ali, meditando. Num lugar onde não tem ninguém, apenas o vento sopra e faz frio, muito frio. É exatamente o que se passa lá em cima do Pico da Bandeira, exceto pelo fato de uma legião de "malditos peregrinos" subindo junto com você. Mas o objetivo de chegar ao topo, vencer os desafios, olhar toda aquela paisagem em volta e ser um "conquistador de montanhas", assim como o personagem Ray, é o que talvez mova muita gente a repetir essa experiência.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Um beijo de colombina

O livro de Adriana Lisboa conta a história de um escritor, seu trabalho, seus devaneios, sua relação com a escrita e da relação com outros três personagens: Teresa, sua companheira, Marisa, sua amiga, namorada, amante e a cadela Boy. Os personagens, João e Marisa, são atravessados durante a trama pela notícia da morte de Teresa nas águas de Mangaratiba.

O desfecho do livro, traz vigor à leitura, onde detalhes interessantes são revelados, mesmo não surpreendendo de todo o leitor atento. Os pontos de vista, a leitura do texto, os clichês, os detalhes demasiadamente exagerados não contribuem com a fluidez do texto.

Adriana Lisboa parece tentar aplicar uma fórmula perfeita ao texto, mas se afoga nos detalhes e soa artificial, misturando um quê de literatura (talvez bem visto pela crítica) e poesia, com rock progressivo, sexo, boemia e lugares comuns do Rio de Janeiro. Como no próprio trecho do livro citando Manuel Bandeira: “Nas ondas da praia, nas ondas do mar, quero ser feliz, quero me afogar”.

A inversão de personagem/escritor/personagem não é também nenhuma novidade. Mesmo assim contribui com uma melhor dinâmica do texto, fluidez e encerramento, mas não passando de um texto morno, quase frio.