Mostrando postagens com marcador Carnaval. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carnaval. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Literatura e Carnaval


O Salgueiro mais uma vez me surpreende. Nunca tive essa de ter escola de samba, como se fosse time de futebol, nem faço coro a torcidas histéricas de ambas instituições. Mas venho criando cada vez mais simpatia por esta escola. Ano passado com a composição "Tambor", já fui para a Sapucaí sabendo que o Salgueiro ganharia apenas pelo samba enredo. Lógico que o desfile faz toda a diferença na apresentação das escolas... mas o samba é o samba.

Ouvindo agora o samba enredo da escola de 2010, vejo que não perderam a mão no samba e escolheram o livro e a literatura como tema do samba enredo a ser apresentado na Sapucaí. E a bateria continua impecável e empolgante.

No site do Salgueiro, na sinopse do samba enredo, um belo texto sobre literatura e a história dos livros. E começando com uma citação de Borges:

"Dos diversos instrumentos do homem,
o mais assombroso é, sem dúvida, o livro.
Os demais são extensão do seu corpo...
mas o livro é outra coisa, o livro é uma extensão
da memória e da imaginação"
(Jorge Luís Borges)

Não sei qual a relação da escola com aquelas que fazem sambas pagos, comprados. Mas sem dúvida os dois últimos sambas foram geniais: "Tambor" e deste ano "História Sem Fim". Ver o samba, como extenção da música e da arte, conectado a literatura faz com que o samba não caia no precipício de outros estilos musicais.

"(...) Adentramos o portal da fantasia. Aqui, a imaginação é a máquina veloz que nos leva a qualquer tempo, a qualquer lugar! Vamos botar o mundo de pernas pro ar em busca da trilha dos contos fantásticos e lá encontrar a cidade dos sonhos, o país das maravilhas, o universo das fábulas inesquecíveis (...)".

"(...) Aqui começa nossa viagem pelo mundo da aventura e do suspense, com personagens e ações se sucedendo num ritmo alucinante para desvendar o intrigante enigma, encontrar o caminho para outras dimensões onde habitam monstros, bruxos e seres sobrenaturais transportados de tempos e espaços imaginários, guiados por engenhosas palavras que nos fazem prender a respiração e, num só fôlego, acompanhar todo o mistério que envolve a trama do primeiro ao último instante, conduzidos por pistas falsas, ciladas, tramas cruzadas, perigos, vilões acuados, quebra-cabeças de peças incompletas, fragmentos que aguçam a curiosidade num ritmo cada vez mais frenético, até que surge... ufa!
A reviravolta.
O desfecho.
A revelação.
'Como é que não pensei nisso antes?' A verdade estava diante dos nossos olhos...
... que avançam no tempo e leem um futuro escrito pelas tintas da incerteza (...)".


O texto na íntegra vale apena ser lido no site do Salgueiro.

Encontrei esse vídeo do ensaio técnico da escola que também merece ser visto. Pra quem nunca foi à Avenida do Samba, dá pra se ter uma leve ideia da energia do desfile, do rufar da bateria e da empolgação que são estes 50 minutos que a escola se apresenta.



Letra: Histórias Sem Fim

Sonhei... no infinito das histórias
Iluminando a memória, me encantei
Brilhou... realidade e fantasia
Como nunca imaginei
Na arte do saber um novo amanhecer
Divina criação, primeira impressão
O livro sagrado da vida
Virtude pra eternidade
A leitura estimulando
A mente da humanidade

Eu viajei nessa magia
De alma e coração
Na fonte da sabedoria
Busquei a minha inspiração

Páginas descrevendo pensamentos
Clássicos, ideais e sentimentos
Romances... adventuras
Quanta riqueza na nossa literatura
O faz de conta inocente da criança
Ficou guardado na lembrança
Mistérios... suspense... emoção
É o hábito de ler, folheando com prazer
Muito além de uma visão
Mensagens de esperança
Clareando a imaginação

Uma história de amor
Sem ponto final
"academia do samba" é salgueiro
No "livro do meu carnaval"

Para apenas ouvir o samba:


É isso. Bom Carnaval e "Salve o Mestre do Salgueiro!".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

4 dias para o Carnaval


Faltam apenas 4 dias para a maior festa do samba do Brasil. Lógico que estou me referindo ao tradicional Carnaval do Rio de Janeiro e não de Farol de São Tomé, São João da Barra, Grussaí, Espírito Santo ou Bahia. Nada de trios elétricos, abadás, confusão, axé ou funk. Apenas sambas de bambas, marchinhas e blocos de rua.

A lista de blocos é imensa. Segundo os sites, mais de 400 blocos estão confirmados em todo Rio de Janeiro. Estive no Rio há duas semanas em alguns blocos, mais especificamente no bloco dos jornalistas: Imprensa que eu gamo. Ficamos na concentração durante umas 2 horas sob forte calor e só mesmo muita cerveja pra "hidratar".

A Antártica estava com forte propaganda neste bloco, com todos os isopores dos ambulantes estampando sua propaganda. Cerveja sendo vendida a R$2,00. Excelente. Além da propaganda declarada, a Antártica junto a Prefeitura do Rio, colocaram vários avisos, alguns do tamanho de outdoors, de uma campanha contra o xixi nas calçadas e ruas. É a primeira vez que vejo isso no Rio. Árvores e arbustos tinham fitas em volta pedindo para "segurar" o xixi, até o banheiro mais próximo. Os banheiros estavam super limpos e a cada 10 metros tinham alguns deles.

Ótima forma de conscientizar os foliões e não deixar aquele odor nada agradável depois para os moradores do bairro. Mas a campanha não vai apenas na mão da educação. A repressão policial pelo que li em alguns jornais ontem está marcando presença. Em um dos blocos do último fim de semana, mais de 20 pessoas foram presas urinando na rua. E tiveram que pagar fiança, algo em torno de 100 reais para saírem.

Não sei se neste bloco citado acima tinha banheiros químicos suficientes. Pra quem bebe cerveja durante todos os blocos é difícil de segurar quando vem a vontade. Com a campanha no bloco Imprensa que eu Gamo, mesmo estando apertado não tive coragem hora nenhuma de ir a algum canto urinar. Segurei todas as horas até chegar a um banheiro.

Sábado de manhã tem o maior bloco do Rio, o Bola Preta, na Cinelândia. Quero ver como a Prefeitura vai se virar com mais de 500 mil pessoas querendo urinar. Mas a campanha estava muito boa e deve continuar. Prova de que campanha bem feita, educativa, funciona.

Segue alguns blocos que vão sair nesse carnaval no Rio: Rola Preguiçosa, Vem Ni Mim Que eu Sou Facinha, Azeitona Sem Caroço, Empurra que Pega, Simpatia é Quase Amor, Que Merda é Essa?, Só o Cume Interessa, Katuca que ela Pula, dentre outros...

A programação completa por bairros pode ser encontrada aqui.

domingo, 3 de maio de 2009

Notícias sobre o carnaval?

Bem que tentei, mas não obtive nenhum sucesso em conseguir notícias sobre o carnaval fora de época em Campos. A cobertura dos jornais locais e principais blogs da cidade foi péssima. Os jornais locais apenas informaram sobre os horários, quem iria desfilar e quem não iria e falaram um pouco sobre o histórico das escolas.

Não fui ver o desfile por receio de confusão e brigas, assim como a gente sempre sabe que acontece em eventos gratuitos na cidade e festas como a Festa de São Salvador. Não quero pensar que Carnaval em Campos não existe. Me parece um pouco hipócrita falar isso sem conhecer, mas realmente não quis arriscar. Fiquei esperando retorno dos meios de comunição locais sobre como estavam os desfiles e não soube de nada. Espero ainda que saia um "balanço" da festa. Quem sabe nos próximos anos que houver carnaval fora de época na cidade possa ver de perto algum bloco, boi ou desfile, enquanto isso não troco o Carnaval do Rio por nada.

quinta-feira, 5 de março de 2009

E o Carnaval?


Há três anos, Carnaval, pra mim, era sinônimo de alienação. Passava o Carnaval inteiro, onde estivesse, vendo filmes, jogando baralho, bebendo cerveja. Ía a praia durante o dia, claro. Mas nada de música, agitação na rua, trios elétricos, etc. Quando ouvia falar em Carnaval a primeira associação que vinha a minha cabeça eram os trios elétricos no Farol ou Grussaí, ou em praias do Espírito Santo, samba reggae tocando no último volime sem parar, multidão, confusão, etc. Sempre tentava como podia me refugiar em algum lugar pra ouvir uma boa música ou o bom e velho rock'n'roll.

Até que exatamente três anos atrás tive a experiência de passar o Carnaval no Rio de Janeiro. Uns amigos convidaram para desfilar na Sapucaí. No início recusei de cara, mas fui vencido pela curiosidade, de tanto as pessoas que já tinham ido comentarem a experiência. Mas isso foi depois.

O primeiro dia desse Carnaval, sábado, não esqueço até hoje. Saímos da Tijuca 7:30 da manhã, "numa alegria infernal" em direção ao metrô pra chegarmos na Cinelândia para vermos o Bloco Cordão do Bola Preta. O Bloco mais antigo do Rio (90 anos). As ruas e o metrô já estavam cheios de gente. A ficha pra mim ainda não tinha caído. Como que pode, as pessoas no Rio, podendo ir para uma praia beber cerveja o dia todo, preferissem baixar na Cinelândia pra verem um Bloco de Carnaval antes das 8 da manhã?

Quando chegamos na praça, e a galera veio cantando vários sambas enredos no caminho à plenos pulmões, já tinha uma multidão lá. Muita gente. Nos embrenhamos no meio do povo e paramos ao lado da Biblioteca Nacional. Além de não ouvir hora nenhuma (e isso foi durante todo o Carnaval) samba reggae, só se ouvia Marchinhas de Carnaval e Sambas Enredos. Não tinha garotada. Não tinha clima de pegação. Tinham crianças, velhos e adultos, todos juntos curtindo o Carnaval numa boa. Isso foi algo impressionante. Todo o meu preconceito do Carnaval caía por água abaixo. Desmoronava.

Fomos a praia um dia ou outro. O resto, só atrás dos Blocos: Cordão do Bola Preta, Suvaco de Cristo, Simpatia é Quase Amor, Concentra Mas Não Sai, Bangalafumenga, Empolga às 9, etc... O Desfile na Sapucaí eu conto outra hora, mas desde então Carnaval é no Rio e ponto final.



Segue a letra da Marcha do Bola Preta:

Quem não chora não mama
Segura meu bem a chupeta
Lugar quente é na cama
Ou então no Bola Preta

Vem pro Bola meu bem
Com alegria infernal
Nessa alegria infernal
Todos são de coração
Todos são de coração
Foliões do carnaval
(Sensacional!)