Cada vez me convenço da grande farsa ou pilantragem quando o assunto é mercado de trabalho, empregabilidade, empreendedorismo, liderança, etc. As pessoas estão sempre repetindo esses discursos e se você está desempregado é porque precisa se qualificar mais. O que parece é que esta qualificação não tem fim. O problema da falta de emprego é deslocado para as pessoas, vira um problema pessoal, individual e não da estrutura econômica ou social. O trabalho é colocado no lugar do sonho de consumo, a coisa mais pazerosa que temos e deve ser visto dessa forma pelos empregadores. E ao invés de alguém questionar isso, simplesmente vestem a camisa da empresa e vão pra entrevista de trabalho com o textinho decorado dizendo-se workaholics, que não aguentam ficar em casa no final de semana, porque sentem que precisam fazer algo, produzir alguma coisa, trabalhar.
Voltando ontem pra casa, ouvindo DRI no carro, reparei na letra:
I stayed at home today
And I'm not going back to work
Money Stinks... Money Stinks
Quanto aos "cursos de nada" oferecidos por instituições, empresas e pós-graduações da vida, servem única e exclusivamente pra fazerem você de otário. Sempre que faço um curso assim ou assisto a uma aula, faço uma auto-avaliação pra saber se aquilo mudou alguma coisa em mim. Como eu era antes e depois do curso. Mas a pilantragem rola solta. E o pior é que tem gente que paga por ela. Coloca no currículo para dar aquela engordada. Tem profissional cara de pau que se candidata para ministrar cursos, dar aulas, etc. Tem professor que nem gosta de ler. E o mercado de trabalho diz, você precisa se atualizar! Não adianta só (só??) ter aquela faculdade de 5 anos. É preciso ter uma especialização! Se não conseguir nada é porque precisa falar mais de 3 idiomas hoje em dia. Ah, e o Mestrado também já passou da hora, não é? E por aí vai...
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Propaganda do MEC do ProUni
Há algum tempo venho querendo comentar esta propaganda do MEC sobre o ProUni que vem sendo veiculada na TV aberta.
A propaganda apela para a oportunidade que foi dada a uma estudante pobre de cursar medicina numa faculdade. Parece até bonita a atitude caridosa do governo, se não soubessemos como realmente as coisas funcionam. Como tudo passa despercebido aos olhos da grande massa. E já nem falo da massa que não teve oportunidade de cursar o ensino superior, porque estes também não se diferenciam muito criticamente dos que pararam no ensino médio. Não é de hoje que ensino superior ou universidade não tem mais nada a ver com ser crítico ou alguém capaz de pensar além dos problemas aparentes. Ter diplomas ou títulos nada mais é que ser um especialista numa determinada questão técnica de sua área.
A universidade que esta menina vai cursar é uma universidade paga. Algumas bolsas do ProUni são integrais, outras não. Essas vagas são compradas pelo governo, pois segundo eles, sai mais barato para o governo colocar alunos em universidades particulares do que fazer novas universidades públicas.
A universidade sempre se apoiou no tripé ensino-pesquisa-extensão até o governo FHC liberar a abertura de várias universidades privadas que não priorizavam este tripé limitando-se apenas ao ensino. Esta "liberação" seguiu os ditames da política neoliberal e do FMI, incentivando as empresas a investirem na área educacional e gerando enormes lucros, fazendo assim, movimentar a economia do país.
A questão é que estas escolas de ensino superior foram abertas e funcionaram e funcionam de forma duvidosa do mesmo jeito. Sem compromisso com a formação de qualidade, crítica e sem pesquisa. O objetivo que nunca foi escondido, sempre foi ensino-aprendizagem.
O governo não se preocupou com a estrutura dessas universidades. Apenas com a economia, com os grandes empresários e como gerar bastante lucro para os ricos. Os cursos ficaram lotados e muita gente se formou, caindo no mercado de trabalho e não tendo como o mercado absorver todos estes profissionais. Outra mancada do governo que não preparou o mercado para isso.
Além das questões econômicas, sociais, a questão cultural e educacional caminham cada vez mais a passos largos para o fundo do poço. O ensino está cada vez pior. O MEC cada vez mais contribui para isso. O governo Lula, assim como anteriores, está mais interessado em números, em quantidade, em quantas pessoas com ensino superior nós temos ou quanto podemos aumentar ainda. Cria-se ensino à distância, salas de aula virtuais, e assim demite-se mais professores. E tudo isso passa batido.
O vídeo abaixo do filósofo Paulo Ghiraldelli expõe bem este fracasso do MEC. Uma das medidas do governo foi avaliar a lambança toda através do ENADE, ou o Provão, como era chamado no governo FHC, para livrar da responsabilidade o governo. Jogar a responsabilidade no estudante por não ter ido bem. Realmente seria muito interessante se o governo criasse ou a população sugerisse de 6 em 6 meses um provão para os vereadores dos nossos municípios, para os Prefeitos, Governadores e Presidente.
A propaganda apela para a oportunidade que foi dada a uma estudante pobre de cursar medicina numa faculdade. Parece até bonita a atitude caridosa do governo, se não soubessemos como realmente as coisas funcionam. Como tudo passa despercebido aos olhos da grande massa. E já nem falo da massa que não teve oportunidade de cursar o ensino superior, porque estes também não se diferenciam muito criticamente dos que pararam no ensino médio. Não é de hoje que ensino superior ou universidade não tem mais nada a ver com ser crítico ou alguém capaz de pensar além dos problemas aparentes. Ter diplomas ou títulos nada mais é que ser um especialista numa determinada questão técnica de sua área.
A universidade que esta menina vai cursar é uma universidade paga. Algumas bolsas do ProUni são integrais, outras não. Essas vagas são compradas pelo governo, pois segundo eles, sai mais barato para o governo colocar alunos em universidades particulares do que fazer novas universidades públicas.
A universidade sempre se apoiou no tripé ensino-pesquisa-extensão até o governo FHC liberar a abertura de várias universidades privadas que não priorizavam este tripé limitando-se apenas ao ensino. Esta "liberação" seguiu os ditames da política neoliberal e do FMI, incentivando as empresas a investirem na área educacional e gerando enormes lucros, fazendo assim, movimentar a economia do país.
A questão é que estas escolas de ensino superior foram abertas e funcionaram e funcionam de forma duvidosa do mesmo jeito. Sem compromisso com a formação de qualidade, crítica e sem pesquisa. O objetivo que nunca foi escondido, sempre foi ensino-aprendizagem.
O governo não se preocupou com a estrutura dessas universidades. Apenas com a economia, com os grandes empresários e como gerar bastante lucro para os ricos. Os cursos ficaram lotados e muita gente se formou, caindo no mercado de trabalho e não tendo como o mercado absorver todos estes profissionais. Outra mancada do governo que não preparou o mercado para isso.
Além das questões econômicas, sociais, a questão cultural e educacional caminham cada vez mais a passos largos para o fundo do poço. O ensino está cada vez pior. O MEC cada vez mais contribui para isso. O governo Lula, assim como anteriores, está mais interessado em números, em quantidade, em quantas pessoas com ensino superior nós temos ou quanto podemos aumentar ainda. Cria-se ensino à distância, salas de aula virtuais, e assim demite-se mais professores. E tudo isso passa batido.
O vídeo abaixo do filósofo Paulo Ghiraldelli expõe bem este fracasso do MEC. Uma das medidas do governo foi avaliar a lambança toda através do ENADE, ou o Provão, como era chamado no governo FHC, para livrar da responsabilidade o governo. Jogar a responsabilidade no estudante por não ter ido bem. Realmente seria muito interessante se o governo criasse ou a população sugerisse de 6 em 6 meses um provão para os vereadores dos nossos municípios, para os Prefeitos, Governadores e Presidente.
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